Penetraram no terreno baldio que rodeava a imponente casa de fachada branca. Apesar dos longos duzentos anos de história, nada no seu exterior transparecia desleixo ou descuidado. Tinha pertencido aos antepassados dele, e o facto de ele partilhar aquele espaço com ela, fazia com que se sentisse especial.
Subiram as escadas principais e estacaram, defronte para uma vista deslumbrante, onde as margens eram discretamente banhadas pelo rio. Entreolharam-se e sorriram.
Ele gentilmente abriu a ilustre porta que dava acesso a uma ampla divisão. Entraram e ela observou com uma certa curiosidade e desconfiança divertida no olhar o único objecto ali presente, um sofá. Ele, apercebendo-se e como que adivinhando os seus pensamentos, soltou uma inocente risada.
Havia passado quase duas semanas que não se viam, e como ela sentira a sua falta! Abraçou-o. Abraçou-o como se fosse a última vez. Ele retribuiu-lhe com uma expressão de compreensão no rosto.
Deitados, sentindo o toque das palmas das mãos um do outro, ela imaginou aquele edifício sumptuoso, agora abandonado, como sendo seu. Partilharia-o com o fantástico ser que estava ao seu lado, remodelaria-o com todo o amor, dedicação e originalidade, e nele construiriam uma família perfeita, com os seus numerosos filhos a correrem pelas inúmeras salas e quartos.
Perdida em pensamentos, sentiu os músculos do seu ventre palpitarem repentinamente, quando a sua boca foi tomada de assalto.
Os seus lábios fundiram-se numa urgência incontrolável. Conseguia sentir as ondas de força contidas na língua dele, misturadas com uma suavidade que lhe provocava o desejo de mais, uma avidez tal que, desconcertadamente envolvia o seu corpo no dele.
Ele soergueu o corpo dela e num ápice despiu-a, de roupa e de pensamentos. Ao contrário do seu corpo, o cérebro dela estagnou apenas no foco de tensão que ali formavam, abandonando imagens de um possível futuro como dona de casa, letras de músicas que o seu inconsciente cantarolava e até mesmo a paisagem que os aguardava do lado de fora. Os seus lábios tocavam-se frequentemente, abafando a respiração ofegante, entre avanços e recuos. Nada mais interessava além daquele ataque súbito de desejo.
Prendeu os dedos entre o seu cabelo e manobrou a cabeça dele, dando-lhe a sentir o seu poder animalesco. Ele era seu. E ela era dele. Algo insaciável pulsava dentro dos dois. Amavam-se.
Ambos tremiam ao ritmo de um compasso ora lento, ora febril. Ela devorou-o e depois provou-o. Ele soltou um gemido rouco quando as unhas dela selvaticamente lhe arrancaram pele, fazendo-lhe ferver o sangue.
Havia tanto dele e ela, naquele instante, queria tudo!
Ele apertou-a contra si enquanto rebolavam do sofá para o chão, e vice-versa. A pele dos dois estava quente, húmida e pronta.
Ela arqueou o corpo sob o dele e, suave e freneticamente, ficaram unidos pelos lábios, pelas mãos e pelos ventres, num prazer que os atormentava.
Renderam-se e desfaleceram nos braços um do outro.
"Para a semana, casas comigo?".
