Sento-me.
Assisto atentamente aquela pessoa. Faz-me rir. Tem tiques. É espontânea, natural.
Sempre quis um dia sentar-me e ver o que vejo hoje: um ser de cores fortes, indignado com as injustiças dos outros, dono do seu espaço, das suas cantaroletas e solfages, conquistador de pessoas com gargalhadas hiperbolizadas, infante numa corte imaginária de tempos.
Sei que se um dia me visse ali sentada a observá-la, olharia de relanço, mostraria um sorriso maroto e viria sentar-se comigo. Até consigo imaginar as expressões dela. Sabe-me a tanto.
Posso lançar para o vento qualquer metáfora digna de ser ignorada que sei que da forma mais patética e criativa, vai ser entendida e respondida à altura.
(...)
Suspiro.
Levanto-me. Prefiro não ver mais e voltar quando me apetecer.
Talvez volte num dia, ou numa noite de Lua Cheia.