Para quem, tal como eu, anda desesperado com a Química!
domingo, 10 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
The last dance
Quando te vi do outro lado do salão, decidi lançar-te o meu inusitado olhar e obrigar-te e pensar “vou dançar com ela”.
Nem passados cinco minutos, para os restantes breves, para mim longos, lá estavas tu, do meu lado esquerdo, com uma flute de champanhe a balançar entre os teus finos dedos.
Franzi a sobrancelha e deixei escapar-te um sorriso – talvez malicioso, sem dúvida misterioso –, quase como um apelo para te aproximares mais ainda.
Assim foi.
Estendeste-me a tua mão direita enquanto repousavas o teu copo na minha mesa. Puxaste-me, de uma forma tão abrupta e delicada ao mesmo tempo, que causou dentro de mim um paradoxo de emoções. Quem serias tu afinal?
Rodopiamos, entrelaçamos braços e pernas, fixámos o olhar várias vezes, o mesmo que te arrastou até mim.
Promete-me que assim dançaremos mesmo depois do dia em que ambos já não tenhamos forças, até à nossa última dança.
sábado, 28 de maio de 2011
Culinárias
Confirma-se quando dizem que ninguém sabe amar até o experimentar. Eu tenho vindo a provar de tal ementa e aconselho: é nutritiva, vitamínica, alimenta corpo e alma, e sobretudo, faz crescer (e muito).
O sabor inicialmente é doce, por vezes um pouco salgado. Chega a ter uma ponta de pimenta. Tem alturas que não deixa de ser ácido, e outras, raras, azedo. Mas sempre disseram que o que alguma vez foi doce, nunca amargou. Intenso.Deve ingerir-se em doses diárias incontroladas, pois ninguém irá sofrer de ingestões se algum dia abusar (e isso sim, recomenda-se).
Não existe nenhum livro de receitas, nem nenhum sábio chefe de cozinha que saiba explicar tal mistério.
Também se confirma que não sou grande cozinheira, mas no que toca a esta receita...
Para o meu ingrediente predilecto,
Peter Pan.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
"O quê que eu ia a escrever mesmo?"

Vi-te adormecer no meu ombro. Mais uma vez.
Desta vez limitei-me a olhar para ti da forma que o ângulo me permitia; vislumbrar cada traço do teu rosto, cada fio de cabelo teu. Semi-cerrei os olhos, como que a conter qualquer emoção, para não te acordar. Meu belo adormecido.
Desviei o olhar para a vidraça que me acompanhava do lado direito e pensei: como é possível amar tanto alguém? Melhor, como é possível sentir que alguma vez poderia vir a ser tão amada?
Amor. Amante. Amatório. Amativo. Amar.
Ele diz que me ama. Eu digo-lhe que o amo; se for preciso, mil vezes por dia. Ou até só uma. Mais que lhe dizer, ele sabe. Temos um pacto. Não de sangue, nem de nada que se possa ver ou tocar. É um pacto silencioso, que tem a capacidade de tornar as nossas vidas enraizadas uma na outra, um pacto de eternidade.
Ele faz-me sentir amada, e tudo isso é encontrar um ponto de abrigo na presença dele, ter uma sensação de protecção quando me aninho nele, saber que todos os dias ele está lá a zelar pela minha felicidade, com o que pode e com o que não pode; é ver que ele me põe a cabeça no lugar quando estou a delirar, é reparar que ele se lembra de tudo o que conto, mesmo que tenha sido há duas semanas atrás, é sentir um aperto no peito a cada despedida. É ver o sorriso dele quando chamo o seu nome, é inspirar fundo para sentir o cheiro dele, é estar aconchegada quando ele me arranja os cobertores para não ter frio, é sentir-me o mundinho dele, quando ele me observa enquanto durmo. É saber que daqui a vinte, trinta, ou cem anos, vou amá-lo com a mesma intensidade que amo hoje.
Estou agarrada a ti, não com uma, mas com as duas mãos.
“diz que me amas, mas a berrar”.
Desta vez limitei-me a olhar para ti da forma que o ângulo me permitia; vislumbrar cada traço do teu rosto, cada fio de cabelo teu. Semi-cerrei os olhos, como que a conter qualquer emoção, para não te acordar. Meu belo adormecido.
Desviei o olhar para a vidraça que me acompanhava do lado direito e pensei: como é possível amar tanto alguém? Melhor, como é possível sentir que alguma vez poderia vir a ser tão amada?
Amor. Amante. Amatório. Amativo. Amar.
Ele diz que me ama. Eu digo-lhe que o amo; se for preciso, mil vezes por dia. Ou até só uma. Mais que lhe dizer, ele sabe. Temos um pacto. Não de sangue, nem de nada que se possa ver ou tocar. É um pacto silencioso, que tem a capacidade de tornar as nossas vidas enraizadas uma na outra, um pacto de eternidade.
Ele faz-me sentir amada, e tudo isso é encontrar um ponto de abrigo na presença dele, ter uma sensação de protecção quando me aninho nele, saber que todos os dias ele está lá a zelar pela minha felicidade, com o que pode e com o que não pode; é ver que ele me põe a cabeça no lugar quando estou a delirar, é reparar que ele se lembra de tudo o que conto, mesmo que tenha sido há duas semanas atrás, é sentir um aperto no peito a cada despedida. É ver o sorriso dele quando chamo o seu nome, é inspirar fundo para sentir o cheiro dele, é estar aconchegada quando ele me arranja os cobertores para não ter frio, é sentir-me o mundinho dele, quando ele me observa enquanto durmo. É saber que daqui a vinte, trinta, ou cem anos, vou amá-lo com a mesma intensidade que amo hoje.
Estou agarrada a ti, não com uma, mas com as duas mãos.
“diz que me amas, mas a berrar”.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
A Paixão
Ela adorava recostar-se sobre as almofadas já amolgadas e fitá-lo, apenas observá-lo enquanto ele dormitava. Ver o seu peito num sobe-e-desce constante e compassado, graças à sua respiração tranquila e doce; reparar no seu leve pestanejar e nos movimentos trémulos dos seus lábios. Era capaz de passar horas naquela mesma posição.
Enrolou os seus dedos nos encaracolados fios de cabelo dele, de uma forma tão suave, mas outrora tão abrupta, que os fazia arfar em uníssono. Sabia aquele cabelo de cor, inalava o seu cheiro como se aquele odor fosse elixir de vida para ela. E talvez fosse!
Cada segundo perto dele, por muito fugaz, fazia galopar o sentimento dentro dela; o gosto da língua dele permanecia nas suas papilas gustativas, mesmo quando ele já longe ia. Como ela gostaria de ter um bolso para lá o guardar!
Um ataque de inocência vergastou o seu pensamento. Eram duas criaturas com meia dúzia de anos prementes vividos e, no entanto, ali estavam, lado a lado, cedendo tudo um ao outro, dando uma espécie de nó, tenso, resistente e inexplicavelmente experiente. Eram dois seres que, apesar da tenra idade, sabiam que não faziam promessas vãs, que já não davam provas de audácia "subindo eucaliptos". Eram duas crianças que apenas sonhavam ficar juntas.
Baixinho, ela sussurrou que o amava. Num gesto puro, o braço dele envolveu-a, num mundo só deles.
"O prometido é devido", e ela um dia prometeu que seria para sempre, porque "muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa".
ps: obrigada Rui Veloso pela noite fantástica.
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